Como tornar-se um tradutor profissional de japonês

Uma das atividades profissionais que se pode desenvolver, sabendo a língua japonesa, é a de tradutor.

Eu trabalhei como tradutor por aproximadamente 1 ano, antes de me dedicar integralmente a ensinar japonês online. Foi um período muito bom, onde pude usufruir dos benefícios desta profissão, encarei novos desafios e também aprendi muito japonês.

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Este artigo nasceu de um e-mail que eu escrevi em resposta a um aluno, que queria justamente saber como se preparar para esta carreira. Como eu sei que esta é a dúvida de outras pessoas e também que, apresentar esta oportunidade pode clarear ainda mais as vantagens de aprender japonês, vou compartilhar aqui esta parte de minha história.

As vantagens de ser um tradutor de japonês

Trabalhar como tradutor foi uma escolha minha. Não foi uma oportunidade que bateu em minha porta por eu saber japonês, fui eu quem decidi que gostaria de trabalhar com isso e fiz um plano de ação para conseguir clientes. Tomei esta decisão por causa dos benefícios desta profissão.

O principal deles é a possibilidade de trabalhar onde quiser, fazendo o próprio horário. Um tradutor que atua como prestador de serviços possui vários clientes e trabalha do seu próprio local, sendo que toda a comunicação com o cliente e também as negociações, ocorrem por e-mail ou por telefone. Assim, eu vi que poderia trabalhar de minha própria casa e administrar os meus próprios horários.

Outra vantagem é que estudar japonês passa a ser o seu trabalho. Basicamente, você é pago para aprender mais japonês! Digo isto porque, para realizar traduções, sempre iremos precisar fazer pesquisas de termos e palavras novas. Teremos que nos forçar a entender mais japonês e ainda pensar em como explicar a mesma ideia em português. Ou seja, além de ser pago para aprender japonês, estaria trabalhando com algo que gosto!

Existem diversas outras vantagens, como poder cobrar caro devido ao fato de existirem poucos tradutores de japonês no Brasil, poder em alguns casos interagir mais diretamente com japoneses, aprender sobre diversos assuntos e por aí vai.

Como começar

Eu comecei da seguinte forma. Primeiramente, montei um site simples (hoje não está mais no ar) explicando sobre o serviço de tradução de japonês-português que eu estava disposto a prestar. Criei um texto dizendo quem sou, que tipos de assuntos eu aceito traduzir (meu diferencial era aceitar traduções de cunho técnico, pois também sou engenheiro e tenho familiaridade com os conceitos) e a forma de contato.

A partir disso, comecei a fazer anúncios para esse site usando o Google AdWords. Investi uma pequena quantia mensal para fazer o site aparecer nas buscas por “tradução japonês” e termos semelhantes.

Ao mesmo tempo, fiz uma busca no Google por agências de tradução e enviei um e-mail para todas, me apresentando, passando o endereço do meu site e me colocando a disposição para trabalhos de japonês-português. Quase todas elas responderam agradecendo e dizendo que, surgindo alguma demanda, ela entraria em contato.

Depois, fiz o mesmo com empresas multinacionais japonesas que possuam atividade no Brasil. Destas, tive menos respostas, mas a semente estava plantada.

Os primeiros trabalhos

Desta forma, não demorou duas semanas até uma das agências entrar em contato para cotar um serviço. A minha tática foi passar um preço em que eu teria certeza que eles aceitariam (sendo que depois é necessário ir subindo, conforme passam a depender de você, graças a qualidade e velocidade de seu trabalho.

No japonês, o preço de uma tradução é normalmente cotado pela quantidade de letras que ele possui. Como não há espaço entre as palavras, nenhum programa é capaz de contabilizar quantas palavras um texto tem, desta forma, faz mais sentido contar o número de letras. O próprio Word faz essa conta, basta colar o texto que automaticamente aparece no canto inferior direito o número de carácteres.

O preço praticado no mercado varia entre R$0,09 a R$0,20 por letra, dependendo do grau de dificuldade do texto e da reputação do tradutor. Se você está começando e ainda é desconhecido, comece mais barato. Se você já possui muitos clientes fiéis a você graças a qualidade e velocidade do seu trabalho, pode cobrar mais caro.

E deu certo, aceitaram a minha proposta, sendo que antes passaram um texto teste para ver a qualidade da minha tradução.

Uma vez dando certo este primeiro trabalho, pude colocar no meu site este cliente como portfólio.

Fidelizando o cliente

Pouco tempo depois, essa agência começou a me enviar traduções constantes. Embalagens, manuais, e-mails, slides de palestras etc. Tudo porque me dediquei a fazer um trabalho de qualidade. Desta forma, sempre que o cliente precisar, ele tende a procurar primeiro você. Faça suas primeiras traduções pensando na qualidade, no aprendizado que terá e na experiência. A remuneração financeira virá depois, conforme você começa a ganhar mais reputação.

Depois, recebi também propostas de algumas multinacionais japonesas, do ramo de peças de automóveis e alimentício. Nesta época encarei um dos maiores desafios, traduzindo 3 patentes de produtos cheios de termos de engenharia e química, com 80 páginas cada uma. Como recompensa, utilizei parte do pagamento para passar umas férias no Japão : – P

Construindo sua carreira

O grande segredo é a ousadia e atitude. O tradutor, em geral, não é um empregado ou funcionário, mas sim um prestador de serviços autônomo. Isto significa que você tem que ir atrás de seus clientes para vender o seu serviço. Não basta ficar apenas se qualificando na esperança de que alguém descobrirá o seu talento e lhe oferecerá oportunidades. As chances disto acontecer são mínimas.

Diga o que você é capaz, divulgue, aceite o primeiro trabalho, dê tudo de si para realizá-lo, veja o que pode melhorar e continua ousando, entrando em contato com possíveis novos clientes.

O NÃO todos nós já temos, precisamos correr atrás do SIM.

Qualificação

Acho muito importante tocar neste assunto…

Nunca nenhuma destas empresas quis saber de currículo. Nunca me perguntaram sobre nível no Exame de Proficiência em Língua Japonesa (JLPT), como e onde eu aprendi japonês, se eu fiz ou não fiz cursos, se tenho faculdade na área ou não. Estas coisas são irrelevantes para este mercado (podem ser importantes para outras prioridades, mas não para ser um tradutor).

O que eles querem saber é do resultado final do seu trabalho. A qualidade e a velocidade com que você entrega. O próprio preço passa a ser irrelevante se você for capaz de realizar o serviço que eles precisam e assim solucionar o problema deles. A única coisa que realmente irá lhe ajudar é ter um portfólio de clientes, ou seja, poder mostrar ao possível novo cliente os trabalhos que você já fez e quais empresas atendeu.

Quando há necessidade de lhe avaliar, vão lhe passar um texto de teste, ou fechar um trabalho pequeno para avaliar o resultado entregue.

Preparando-se para o futuro!

Se você ainda está começando a estudar japonês e deseja tornar-se um tradutor no futuro, você pode começar a se preparar desde já. Tente realizar traduções como teste, como forma de aprender e ganhar experiência. Busque textos na internet de assuntos diversos e tente traduzi-los, ao mesmo tempo que você continua firme estudando japonês. Desta forma, em pouco tempo estará apto a colocar estas dicas em prática!

Mas uma coisa que é fato é que para usufruir de tudo isto, é necessário aprender japonês. Aprender japonês é um investimento que você faz justamente para poder, depois, levar uma vida melhor em diversos aspectos, inclusive profissionais.

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