Letras Japonesas – Aprenda tudo em até 1 ano

Sempre que eu me disponho a ensinar algo, a primeira coisa que penso é, “qual foi a sacada que mais fez diferença em minha vida quando estava aprendendo“, pois isso permite que você, que está aprendendo japonês, já comece estudando da forma mais eficiente que eu encontrei.

A segunda coisa que me pergunto é, “se eu pudesse voltar no tempo e tivesse que aprender tudo de novo, o que faria diferente?“. Isto faz com que você aprenda mais rápido do que eu aprendi, pois evita o risco de você gastar anos fazendo algo que não funciona.

Isto porque método é um dos ingredientes fundamentais para se ter resultado no aprendizado de uma língua (e do japonês). Não adianta você estudar muito, mas da maneira errada. Uma simples mudança na maneira com que você faz algo pode impactar drasticamente na velocidade e na qualidade do resultado.

Afinal, você quer aprender japonês para usá-lo em sua vida. Para assistir e ler as coisas que você gosta, para falar com japoneses e para se virar bem no Japão, não é mesmo?

O desafio: Aprender as letras japonesas

letras-japonesas

Um dos maiores desafios de se aprender japonês está, sem dúvida alguma, nas letras japonesas. A diferença na escrita cria uma barreira a ser superada. Aprender japonês é diferente de aprender inglês ou espanhol, onde você pode desde o primeiro dia já ler coisas nestes idiomas. No japonês é diferente, sem conhecer a escrita japonesa, você não é capaz de ler nada.

Voltando um pouco no tempo, eu comecei a estudar japonês através de um curso presencial aos moldes tradicionais, ministrado por uma professora que cresceu em uma família japonesa, aprendeu japonês em casa e que desde criança, frequentou a escola para japoneses da colônia em que vivia, onde alfabetizavam as crianças. Eles aprendiam as letras japonesas da mesma forma que se é ensinado nas escolas do Japão.

Por isso, a maneira com que eu comecei a estudar era baseado nas experiências dela, que foi uma experiência de uma pessoa que aprendeu japonês como primeira língua e depois foi alfabetizada, desde criança, como um japonês nativo.

Eu era fascinado pela cultura pop do Japão e queria aprender japonês primeiramente para entender as coisas que assistia e também para poder ler. Em um futuro próximo, poder ir ao Japão diversas vezes e interagir com pessoas.

Estudando desta forma, uma das coisas mais comuns era gastar mais da metade do tempo de estudo escrevendo repetidamente as letras japonesas em folhas quadriculadas. Era um consenso que, fazendo desta forma, cedo ou tarde teria aprendido todos os KANJIs e estaria apto a ler e escrever tudo em japonês.

Meses e anos se passam e nada, apesar de aprender mais e mais, parece que o meu conhecimento em japonês ainda não servia para nada na vida real. Comecei a observar mais e cheguei a duas conclusões:

  1. As minhas condições iniciais são diferentes das desta professora. Eu não aprendi japonês desde criança, como primeira língua, e muito menos sou uma criança sendo alfabetizada (as crianças tem tempo de sobra).
  2. Eu nunca vi alguém que começou a aprender japonês do zero, depois de adulto/adolescente, e dominou as letras japonesas estudando desta forma.

Como certa vez disse Albert Einstein:

Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes

Estava na hora de fazer algo diferente para de fato poder conseguir aquilo que eu queria.

Ler X Escrever

Quando falamos sobre escrita japonesa, podemos seprar em duas habilidades:

  • Ler
  • Escrever

Neste caso, quando me refiro a “escrever”, estou falando estritamente da caligrafia, o ato de escrever a mão. Não estou me referindo a habilidade de criar frases e textos, ok?

Comecei a refletir primeiramente sobre o ato de repetir a escrita das letras japonesas inúmeras vezes e copiar textos em cadernos, a mão. Partindo disso, comecei a refletir sobre o próprio ato de escrever a mão. As conclusões foram:

  • Escrevemos a mão todos os dias quando estamos na escola, um pouco menos quando estamos na faculdade, e quase nada quando entramos na vida profissional (vida adulta).
  • No dia-a-dia, raramente precisamos escrever a mão. Quando precisamos, é no máximo o próprio nome ou algum formulário (endereço, profissão etc).
  • Os dispositivos eletrônicos já são uma realidade. Quase todos possuem smartphones e computadores. Ou seja, havendo necessidade de escrever a mão, há onde pesquisar rapidamente.
  • O dia que eu fosse para o Japão, seria já na condição de um adulto.

Depois, sobre o ato de ler:

  • As pessoas mais articuladas, com mais cultura e mais conhecimento, são as que tem o hábito de ler mais
  • Ler é uma habilidade indispensável nos tempos modernos e precisamos continuar lendo muito mesmo após entrar na vida adulta (ao menos para quem deseja chegar a algum lugar na vida)
  • Sobre ler em outro idioma, quanto mais lemos, mais palavras aprendemos, mais fixamos a construção das frases e mais apto nos tornamos a articular as ideias

Isto é o suficiente para concluirmos aonde estava o meu erro ao aprender japonês.

Atividade braçal X Atividade intelectual

Praticar caligrafia, escrever as letras japonesas (KANJI) a mão é uma atividade meramente mecânica, braçal, que não está necessariamente desenvolvendo o seu japonês.

Na Física, o conceito de trabalho é:

Trabalho = Força X Deslocamento

Ou seja, de nada adianta colocar muita força se o deslocamento for pequeno, não haverá resultados. Trabalho não é sinônimo de esforço, é sinônimo de resultado. O esforço é apenas um dos elementos necessários.

Por outro lado, se colocarmos nosso foco na capacidade de ler tudo em japonês, o resultado prático virá muito mais rápido.

Imagine você podendo ler livros em japonês sobre assuntos referentes a sua área de estudo ou área profissional, ou então ler os livros de ficção e romance sobre temas que você gosta, tudo em japonês, sem dificuldade.

Ou então se você pudesse navegar na internet em japonês, entrando em websites, portais, blogs, sobre os assuntos que você se interessa ou precisa, também sem nenhuma dificuldade. Ou até mesmo ler os seus mangás favoritos em japonês, sem depender de traduções e podendo usufruir das obras em sua originalidade.

Além de, ao ir ao Japão, poder ler placas, anúncios, documentos e tudo mais o que for necessário para sua estadia.

Você atingiu esse negócio em 1 ano ou menos e teve que pagar um preço por isso: Você não praticou escrita a mão.

Valeria a pena? Lembrando que você teria todo o resto da sua vida para então se dedicar a escrita, só que desta vez, já sabendo ler japonês, já conhecendo milhares de palavras e entendendo sentenças.

Não seria fantástico?

Por outro lado, os cursos e professores tradicionais seguem no caminho contrário.

Não propositalmente, mas por falta de dedicação ao desenvolvimento de métodos que estejam de acordo com a realidade e necessidade de seus alunos. A realidade de quem procura um curso de japonês é de um adulto/adolescente querendo aprender japonês do zero, sem uma base aprendida com a família, e sua principal necessidade é conseguir usufruir da língua o mais rápido possível, podendo assim fazer coisas em japonês que gosta.

Resultados mais rápidos

Certa vez, um professor de japonês me perguntou: “Luiz, a taxa de desistência de meus alunos é muito grande, por que isso acontece?”.

A resposta é que os alunos iniciam seus estudos empolgados com a cultura japonesa, motivados pelo Japão moderno (tecnologia, animes, games, possibilidades profissionais) ou por um gosto específico (artes marciais, religiões, arquitetura), mas a maneira com que são conduzidos a aprender faz com que demore muito até chegar o momento em que possam usufruir de conteúdo em japonês sobre estes temas. Ou seja, falta de resultado concreto.

Talvez por uma errônea ideia de que evitando estes temas, está se preservando a cultura tradicional japonesa, tanto os professores de mais idade quanto os materiais desenvolvidos no Brasil não adentram a esse mundo e não falam sobre isso com os alunos. Resultado: Desmotivação e desistência.

Conclusão

E para concluirmos, a grande sacada que fez diferença para mim, que eu faria diferente se estivesse começado de novo e que hoje em dia passo aos alunos, é justamente não praticar a escrita a mão quando se está começando. Ao invés disso, colocar todo o foco em conseguir ler a maior quantidade de japonês possível.

Antes de pegar no lápis para praticar escrita japonesa, você já deve estar apto a ler qualquer coisa em japonês quase que fluentemente.

O tempo e energia gasto em exercícios de escrita a mão, copiando textos, exercícios de preencher, exercícios de repetição atrasam em muitos anos a sua funcionalidade e fluência no japonês.

Com foco e com o método adequado de aprendizado de leitura (que eu não abordei em detalhes neste texto), é plenamente possível se tornar apto a ler japonês em 1 ano ou menos, podendo assim usufruir o mais rápido possível daquilo que lhe motiva a aprender.

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